Barreiras sanitárias abordam 47 mil veículos e barram 600 no litoral do Paraná; taxa de incidência da Covid-19 sobe 12,3%

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Após mais de 20 dias da instalação das barreiras sanitárias que impediram o acesso de turistas ao litoral do Paraná, três dos sete representantes da região afirmaram que a fiscalização ajudou no combate à transmissão do novo coronavírus.

Apesar da diminuição do movimento nas praias, a taxa de incidência por 100 mil habitantes aumentou 12,3%, conforme dados da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa).

No dia 15 de março, quando começaram as restrições, a incidência de Covid-19 por 100 mil habitantes era de 7.803 na regional de Paranaguá, que abrange todo o litoral. Na terça-feira (6), a taxa estava em 8.764. As barreiras sanitárias foram desarticuladas no domingo (4).

Em Guaratuba, o prefeito Roberto Justus (DEM) destacou que houve redução no volume de casos investigados e de pacientes internados. No caso de Pontal do Paraná, de acordo com a secretária de Saúde, Carmen Moura, verificou-se redução de 50% de casos graves.

Em Paranaguá, a maior cidade do litoral, com 156.174 habitantes, a Secretaria de Saúde pontua que a taxa de ocupação no hospital de campanha caiu de 100% para entre 65% e 70%.

A expectativa dos gestores é de que as barreiras reflitam na taxa de incidência por 100 mil habitantes nos próximos 15 ou 20 dias.

Litoral do Paraná teve 11 barreiras sanitárias durante a Páscoa. — Foto: Amanda Menezes/RPC

Litoral do Paraná teve 11 barreiras sanitárias durante a Páscoa. — Foto: Amanda Menezes/RPC

Efeito da medida

Desde o começo da pandemia, até terça-feira, as sete cidades do litoral somam 26.192 casos e 583 mortes provocadas pela Covid-19, conforme a Sesa.

Entre fevereiro e março, o litoral registrou 2.954 mil casos e 102 mortes pela Covid-19. Entre março e abril, o número passou para 4.059 casos e 188 mortes, segundo a Sesa.

A expectativa de quem acompanha a evolução da Covid-19 no litoral é de que estes números diminuam nos próximos dias, dentro dos municípios, como reflexo das barreiras.

Marcelo Roque (PODE), que é o prefeito de Paranaguá e também presidente da Associação dos Municípios do Litoral do Paraná (Amlipa), disse que essa é a tendência.

“Quando começamos a fazer as barreiras, os casos de Covid-19 estavam em uma ascendência muito grande. Muitos destes números confirmados estavam reprimidos na Sesa, casos de meses atrás, que vão sendo atualizados. Quando vão saindo as notificações, vão incluindo. Realmente dá uma confusão de números”, defendeu.

A partir dos dados da Sesa, mesmo com as restrições, o litoral continuou como a terceira regional com mais casos de Covid-19 por 100 mil habitantes.

A incidência só não e maior do que a regional de Foz do Iguaçu, onde são 11.475 casos por 100 mil habitantes, e da regional de Toledo, com 9.502 casos por 100 mil habitantes. O estado do Paraná é dividido em 22 regionais de saúde.

Segundo Marcelo Roque, a situação seria pior sem as barreiras.

“Se permitíssemos que as pessoas descessem para o litoral, a situação seria ainda pior. No feriado de Páscoa, por exemplo, quem subia para a capital não via movimento nenhum no sentido ao litoral. As barreiras dos municípios também ajudaram muito a não propagar o vírus nas cidades”.

O coordenador da sala de situação da Secretaria Municipal de Saúde de Paranaguá, Gianfrank Julian Tambosetti, explicou que um dos fatores que fez com que os números subissem foi o de que os testes continuaram nas cidades, mesmo com as barreiras.

“Embora a barreira, a região não parou de fazer a detecção dos novos casos. A barreira foi eficiente para todo o litoral, especialmente os pontos turísticos que recebem gente de fora, mas os números ainda refletem os casos entre quem estava no litoral nesse período”, explicou.

Nos próximos 10 a 15 dias, a expectativa é de que os números da taxa de incidência de Covid-19 por 100 mil habitantes comecem a cair.

“Esperamos que estes números se reflitam nos dias que virão após o fechamento da barreira. Quanto menos pessoas circulando, menos gente o vírus teria para se multiplicar. Acreditamos que as barreiras tinham exatamente esse papel, de diminuir a circulação viral”.

Gianfrank disse que, em Paranaguá, a Secretaria Municipal de Saúde sentiu a queda no número de casos graves. Segundo ele, no hospital de campanha da cidade, a taxa de ocupação era de 100% antes das barreiras e diminuiu para entre 65% e 70%.

“Não necessariamente o aumento de incidência de casos novos seja um fato negativo, porque aponta que a gente está testando. O dado positivo que vai sair pelos próximos dias é a diminuição de óbitos e casos graves, porque quanto mais testagem e cuidado isso tende a diminuir”.

Barreira sanitária na BR-277, no litoral do Paraná. — Foto: Diogo Monteiro/JB Litoral

Barreira sanitária na BR-277, no litoral do Paraná. — Foto: Diogo Monteiro/JB Litoral

Barreiras sanitárias no litoral

Ao todo, foram 11 barreiras por todo o litoral paranaense. Só na restrição que ficava no quilômetro 11 da BR-277, foram abordados mais de 47 mil veículos e, destes, pelo menos 600 retornaram às cidades de origem, segundo a Prefeitura de Paranaguá.

A barreira sanitária da BR-277 foi instalada no dia 15 de março, por meio da Amlipa e uniu as sete cidades do litoral para combater a disseminação do coronavírus.

Para o prefeito de Paranaguá, o trabalho foi efetivo.

“Com certeza este esforço ajudou a salvar vidas em nossa cidade. Foram aproximadamente 20 dias desta importante atividade. Chegamos ao fim, mas poderemos retornar com a barreira futuramente, caso seja necessário”, alertou.

A fiscalização nas 11 barreiras foi eficaz porque, segundo o secretário de segurança e coordenador da Defesa Civil de Paranaguá, todas as secretarias municipais estiveram envolvidas.

“Temos a certeza que essa barreira ajudou a não propagar o vírus. Também temos que agradecer as pessoas que foram orientadas e voltaram as suas cidades de origem, pelo entendimento que este não é o melhor momento para visitar o litoral”, comentou João Carlos da Silva.

Redução de casos em Guaratuba

Em Guaratuba, as barreiras impediram o acesso de 2.280 carros, nos três finais de semana em que estiveram ativas. Roberto Justus (DEM), o prefeito da cidade que é a segunda maior do litoral, com 37.527 pessoas, disse que as restrições permitiram uma redução no número de casos no município.

“Tivemos, antes do nosso primeiro lockdown, 150 casos de investigação por dia, agora caímos para 39. Para se ter uma ideia, chegamos, antes das medidas, a ter 18 pacientes internados no centro de atendimento para Covid-19, sendo que sete aguardavam leitos de UTI há mais de 24 horas. Hoje, nosso equipamento de saúde conta com cinco pacientes internados, três intubados”, detalhou.

Segundo o prefeito, o levantamento é positivo e mostra que as barreiras são eficientes.

“A importância de se fazer o fechamento das praias e das áreas públicas, especialmente neste feriado. Se não tivéssemos feito isso, ainda mais no feriado, os números seriam muito piores”.

Mesmo com a retirada das barreiras, o prefeito alertou que a situação ainda é grave e que a consciência das pessoas é importante.

“Mais uma vez, importante lembrar, ainda temos 95% dos leitos do Paraná ocupados, então precisamos continuar focados no distanciamento social, no uso da máscara e do álcool gel. Estamos no caminho certo e vamos vencer essa batalha”.

Barreira sanitária buscou evitar entrada de turistas no litoral. — Foto: Colaboração/Diogo Monteiro/JB Litoral

Barreira sanitária buscou evitar entrada de turistas no litoral. — Foto: Colaboração/Diogo Monteiro/JB Litoral

Ao G1, a secretária de saúde de Pontal do Paraná, Carmen Moura, disse que os números na cidade caíram pela metade.

“Tivemos essa redução do número de casos, principalmente dos casos graves, desde quando começamos com as barreiras e a fiscalização mais intensiva das medidas. Do dia 22 ao dia 28 de março, para a última semana, do dia 29 de março até domingo, 50% de redução dos casos positivos”.

Barreira sanitária impedia acesso aos turistas no litoral e pode voltar a qualquer momento. — Foto: Colaboração/Diogo Monteiro/JB Litoral

Barreira sanitária impedia acesso aos turistas no litoral e pode voltar a qualquer momento. — Foto: Colaboração/Diogo Monteiro/JB Litoral

Barreiras podem voltar?

Como destacou o prefeito de Paranaguá, as barreiras podem voltar no litoral. A secretária de saúde de Pontal do Paraná reforçou que as pessoas precisam ter a percepção de que, nesse momento, é importante evitar viajar.

“Porque, se não, na semana que vem os números subirão de novo. Por isso vamos aguardar os próximos dias para vermos o movimento, até mesmo para definirmos o que vai ser feito durante o final de semana”.

 

 

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