Covid-19. Tartarugas ameaçadas beneficiam de interdição de praias: aumentam ninhos e segurança

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Os investigadores consideram “significativo” o aumento de ninhos na região da Flórida e atribuem-no às melhores condições de segurança para as tartarugas marinhas procriarem: não há pessoas na praia, não há luzes, não há resíduos atirados ao mar

Atartaruga-de-couro, a maior das espécies de tartarugas marinhas, está “a prosperar” durante a pandemia de covid-19, que atinge agora os EUA como a nenhum outro país. E por “prosperar” entenda-se a pôr mais ninhos e em maior segurança.

A informação é dada pelo Loggerhead Marinelife Center, centro de investigação de Juno Beach, cidade costeira da Flórida, onde várias espécies de tartarugas marinhas se reproduzem. “Estamos empolgados por ver as nossas tartarugas prosperar neste ambiente”, contou Sarah Hirsch, responsável do centro, ao canal “12 News”.

A nidificação da tartaruga-de-couro começa no final de março, início de abril, sobretudo na costa leste e sudeste da Flórida, e o processo entre criar o ninho e fazer a incubação dos ovos até que deles saiam crias pode durar quase dois meses. Nesse intervalo de tempo, em que o calor começa a chegar e as praias a encher, os ninhos, as fêmeas e as próprias crias ficam expostos a toda a sorte de incidentes: serem pisados, tirados do sítio, perturbados pelas luzes artificiais nas praias ou em bares e restaurantes próximos, pela circulação de pessoas, de veículos e, claro, pelo plástico e resíduos que se acumulam dentro e fora de água.

“A ingestão e emaranhamento em detritos marinhos e plásticos são algumas das principais causas de lesões em tartarugas marinhas”, lembra David Godfrey, diretor da organização “Sea Turtle Conservancy”, que luta pela conservação das espécies. Com a quarentena e a interdição do acesso às praias na Flórida a interromper parte da ameaça, “as hipóteses de que as tartarugas sejam acidentalmente atingidas e mortas serão menores”, confirma o mesmo Godfrey, citado pelo jornal britânico “The Guardian”.

Por enquanto, o Loggerhead Marinelife Center registou 76 ninhos em Juno Beach, num espaço de duas semanas, um aumento considerado “significativo” por comparação à mesma altura de 2019. A tartaruga-de-couro é a primeira a nidificar, seguindo-se a “loggerhead” (“tartaruga-comum” em português, espécie ‘Caretta caretta’, que existe em Portugal, ainda que por cá não se reproduza). A esperança dos investigadores é que também essa espécie beneficie do deserto em que se transformaram as praias, já que algumas fêmeas mais vulneráveis põem ovos antes do tempo. A outra esperança é a de que haja um “baby boom” entre as tartarugas marinhas.

David Godfrey prefere dosear o entusiasmo. “É prematuro tentar usar números para demonstrar o que todos pensamos e esperamos que esteja a acontecer. Os números ainda não estão lá.” Estarão no fim da temporada, que ocorre em outubro. No ano passado, foram registados 400 mil ninhos de tartarugas marinhas na costa da Flórida durante o período de nidificação. Só que, lembram os investigadores, apenas uma em cada mil crias sobrevive.

“Depende apenas do comportamento das pessoas após o fim do confinamento”, avisa Justin Perrault, diretor do Loggerhead Marinelife Center, onde a preocupação aumenta à medida que as restrições são aliviadas. O estado da Flórida tem já mais de 25 mil infetados com covid-19, mas nem por isso o governador Ron DeSantis deixou de decretar a reabertura de algumas praias.

Fonte: Expresso

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