Praias do Recife tiveram movimentação mediana em dia de liberação do banho de mar

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A previsão do tempo com pancadas de chuva de forma isolada ao longo desta quinta-feira (16) não desanimou os recifenses que queriam aproveitar o dia da liberação do banho de mar nas praias, que coincidiu com o feriado de Nossa Senhora do Carmo, padroeira da cidade. A data também foi marcada pela reabertura dos quiosques e da Feirinha da Pracinha de Boa Viagem. Durante a manhã, mesmo com o tempo fechado, houve uma movimentação considerável nas praias de Boa Viagem e no Pina, na Zona Sul do Recife. Uma chuva tomou conta da área litorânea durante o final da manhã, fazendo as pessoas retornarem apenas após o horário do almoço.
Apesar da ampla divulgação da importância das máscaras, muitos preferiram não usar os objetos de proteção para conversar e consumir bebidas em caixas térmicas na faixa de areia. A Guarda Civil, a Polícia Militar e o Grupamento de Bombeiros Marítimos (GBMAR) acompanharam a movimentação para tentar orientar pessoas que estivessem desrespeitando protocolos de convivência com o coronavírus. Os bombeiros, inclusive, colocaram em prática a Operação Volta às Praias, que incrementou 33% do efetivo. Foram 48 profissionais, entre guarda-vidas, tripulantes de embarcações e apoio operacional, que estiveram nas praias, já que o dia de liberação poderia ser marcado por uma ansiedade de retornar ao mar, ocasionando acidentes.
Pessoas no calçadão na praia de Boa Viagem (Foto: Paulo Paiva/DP Foto)
Pessoas no calçadão na praia de Boa Viagem (Foto: Paulo Paiva/DP Foto)
Michelle Barbosa, 37, mora no município de Vitória, na Zona da Mata de Pernambuco, e decidiu levar o filho de cinco anos com dois amigos para curtir o mar de Boa Viagem. “Estávamos morrendo de saudades. Chegamos após o almoço por conta da chuva. Hoje o dia foi ótimo, a praia está muito boa. Eu vi as pessoas mais afastadas umas das outras. Devemos evitar multidões”, disse. Adriana Silva, 35, mora em São Paulo, mas está no Recife a trabalho e decidiu tomar sol com três amigas. “Nós vimos que a praia abriu para banho do mar na TV e decidimos vir. Eu já vim várias vezes para cá, mas o aspecto está diferente e não é como antes. Não tem turistas, nem barracas ou ambulantes. Mas é válido tomar um solzinho”.
Josi Miranda, 45, é presidente da Associação dos Barraqueiros de Coco do Recife (ABCR), que contempla os quiosques da praia. Ela decidiu caminhar pelo calçadão para acompanhar o dia de retorno. “Hoje faria 118 dias que estamos fechando, já não aguentamos mais. A ABCR teve uma reunião com a Secretaria de Turismo, Esportes e Lazer Ana Paula Vilaça e a vereadora Aline Mariano para viabilizar essa coquista de hoje”, diz Josi.
Ao percorrer o calçadão, no entanto, é possível perceber que muitos quiosques não reabriram. “A situação é muito difícil e muitos não conseguiram comprar mercadoria para vender”, explica a presidente. De acordo com ela 26 dos 60 quiosques existentes na orla foram arrombados durante o período da pandemia. “Tivemos uma reunião com o Major Fábio Rufino, que nos explicou que muitos moradores de rua estavam entrando nos espaços para dormir”.

Maria Cícera, 55 anos, é dona de um dos quiosques prejudicados pela pandemia (Foto: Paulo Paiva/DP Foto)
Maria Cícera, 55 anos, é dona de um dos quiosques prejudicados pela pandemia (Foto: Paulo Paiva/DP Foto)
Maria Cícera, 55 anos, é dona de um dos quiosques invadidos. “Eu consegui recuperar a mercadoria e um dos criminosos foi preso”, conta. “O período de março até agora foi horrível, pois toda a minha mercadoria venceu. Eu estou recomeçando hoje com água mineral, água de coco, pipoca e salgadinho. Passei por muita dificuldade. Eu esperava mais movimento hoje, mas não foi tão bom assim, acho que por conta da chuva. Por enquanto está parado, mas não vou fechar e já volto amanhã”.
Daniel Silva, 40, é barraqueiro na praia de Boa Viagem. Ele chegou na praia, na área próxima da pracinha, por volta das 5h30 para acompanhar o movimento. “Eu fico triste em olhar o lugar que eu poderia estar ganhando meu dinheiro e não poder trabalhar. Estou fazendo bicos por fora, conheço muitos barraqueiros que agora estão morando aqui nas ruas de Boa Viagem”, disse, apontando para um grupo de pessoas de rua que estava na Pracinha. “As igrejas estão ajudando a maioria dessas pessoas, pois só o auxílio emergencial não dá. Também vi muita gente sem máscara”, denunciou.
 
Feirinha reabre

Luiz Machado, 55, é dono da barraca Luiz da Cachaça, onde vende garrafas de bebidas decoradas (Foto: Paulo Paiva/DP Foto)
Luiz Machado, 55, é dono da barraca Luiz da Cachaça, onde vende garrafas de bebidas decoradas (Foto: Paulo Paiva/DP Foto)
Após um multidão para limpeza e organização das barracas, a tradicional Feirinha de Boa Viagem voltou a funcionar nesta quinta. Para os vendedores, artesãos e clientes, a Feirinha funcionou em horário reduzido, 15h às 20h, ao invés das 14h às 22h. As barracas de comida só voltam na próxima segunda-feira. Funcionários do Programa de Desenvolvimento do Artesanato (Prodarte), que faz parte da Secretaria Trabalho, Qualificação e Empreendedorismo do Recife, acompanharam a de abertura.
“Nós estamos fazendo demarcações no chão, para facilitar a noção do distanciamento social”, explicou David Duarte, gestor do Prodarte, que objetivo de fomentar o artesanato do Recife por meio do apoio aos artesãos cadastrados na Prefeitura, do fortalecimento da geração de renda e da divulgação cultural do município. “Os protocolos foram feitos em diálogo com a Secretaria do Turismo e a vigilância sanitária. Alguns artesãos já são idosos e não acharam prudente retomar o trabalho. Mas já na tarde desta quinta temos várias barracas abertas”.
Luiz Machado, 55, é dono da barraca Luiz da Cachaça, onde vende garrafas de bebidas decoradas há 35 anos. “Estou achando o retorno necessário, mas temos que nos cuidar mesmo. Espero que passe logo essa tempestade, para voltar ao menos parecido como era antes. Acredito que o movimento vá começar devagar, mas depois dará uma melhorada, como quase todos os setores. Eu não sei de nenhum barraqueiro que vai deixar de voltar, mas soube de alguns que faleceram. Uma amiga minha, inclusive, foi uma dessas pessoas”, finaliza.

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